Tema da pesquisa escolhido! Aí está meu abstract.

 

 

 

O olhar de Fernando Faro

 

O objetivo deste trabalho é examinar a obra televisiva de Fernando Faro. O diretor trabalha em televisão desde 1966 e sempre apresentou um processo criativo diferenciado. Conhecido por criar e dirigir o programa Ensaio, Faro desenvolveu uma linguagem própria com enquadramentos inusitados e silêncios propositais, diferente da estética costumeira da televisão. 

Aos 83 anos de idade, Fernando Faro continua na ativa. Atualmente dirige o programa Móbile, que está no ar na TV Cultura desde junho de 2008. O programa tem uma proposta de não linearidade. A vinheta diz: “este programa não tem um começo, um meio e um fim. São peças soltas que a gente vai juntando, não faz sentido, não tem uma história.” 

Além do histórico de sua obra, será feita uma análise do programa Móbile a partir de sua edição, ou seja, a construção ou desconstrução, mapeando pensamentos e influências do artista.

 

 

 

Palavras-chave: Fernando Faro, televisão, linguagem, edição, processo criativo

 

 


Pesquisa

24/06/2009

Fiz uma visita virtual à biblioteca da PUC-SP. Encontrei diversas teses de mestrado e doutorado na área de televisão:

- O que se vê na tv: análise do fluxo da programação da Rede Globo, de Maria Silvia Fantinatti – 2008 (tese de Doutorado)

- As espacialidades em montagem no cinema e na televisão, de Fábio Sadao Nakagawa – 2008 (tese de Doutorado)

- Processos criativos na televisão brasileira: a importância da proposta de Luiz Fernando Carvalho, de Paula Salazar – 2008 (tese de doutorado)

- Cenário televisivo: linguagens múltiplas fragmentadas, de João Batista Freitas Cardoso – 2006

Todas bem interessantes e dentro do universo que pretendo pesquisar, o processo criativo na televisão e a linguagem do diretor.

Linha 6 – Branca

24/06/2009

 

Um video de Analu Buchmann e Edwin Perez criado para a disciplina História e Estética do Video, professor Paulo Teles.

Segue abaixo o texto desenvolvido por nós.

 

Ao iniciarmos o processo de realização da obra audiovisual, detivemo-nos em alguns parâmetros:

Utilizar imagens já existentes

Utilizar produção sonora já existente

Estabelecido este sistema de criação, buscamos nos debates e reflexões ocorridas em sala de aula durante este bimestre, quais pontos poderíamos trabalhar no Vídeo pretendido.

A opção recaiu sobre o tema “DIÁLOGO”.

Utilizamos então dois aspectos da tecnologia científica amplamente utilizados na indústria humana: A Engenharia e a Medicina.

Na primeira buscamos ruídos intimamente ligados conosco e com milhares de usuários que é o metrô. A diversidade dos mesmos é imensa, sendo compostos por vozes, sinais eletrônicos, atrito entre rodas e trilhos amplificados pela arquitetura presente, abrir e fechar de portas, mensagens vocais…..

Na segunda uma imagem interna do corpo humano, mais especificamente do nariz. A câmera é utilizada para investigação das cavidades nasais em um procedimento pré-operatório (operação de desvio de septo). 

O ponto de partida foi o movimento. Em ambos tanto a câmera quanto o metrô deslocam-se em um espaço vital no corpo e na cidade.

A partir disto estabelecemos o diálogo sonoro dentro das velocidades empreendidas através de túneis e meatos (canais nasais).


Trabalho em televisão há 15 anos. Em 1994 eu era estagiária e a ilha de edição era U-matic. A ilha já era totalmente obsoleta, mas era usada diariamente. E como trabalhava! As outras ilhas eram beta, mais modernas. Hoje penso em como tive a sorte de acompanhar a evolução tecnólogica de perto. Aprendi a trabalhar em vts u-matic, beta, UP (uma polegada), quadruplex. Hoje trabalho em um computador e tenho pensado muito no que migração da edicão linear pro não-linear fez com a televisão que se faz hoje.

Profissionais que eu admirava, quando ainda era uma estudante, hoje me dão sono. Não mudaram a linguagem, parecem não acompanhar a tecnologia e a velocidade de informação. Como esses profissionais se atualizam? Apesar de editarem em ilhas não-linear, parecem ter um raciocínio linear.

Já os recém-formados lidam com facilidade com a tecnologia, mas deixam a desejar em termos de conteúdo. Dominam completamente a ferramenta, mas não sabem o que fazer com ela.

Como podem essas pessoas trabalharem juntas? No exercício do trabalho não vejo um diálogo entre eles. Por que?

A busca

18/06/2009

Continuo na busca para um tema para minha monografia. Esta semana, na aula do professor Lucio Agra, estivemos na biblioteca para pesquisar monografias de alunos do CISME. Poucas relacionadas à televisão. Muitas delas abordam a tecnologia e, consequentemente, a produção atual a partir das facilidades que esta tecnologia vem trazendo.

Fiz uma pesquisa bibliográfica e retirei dois livros: “A Arte do Video”, de Arlindo Machado e “Televisão – Manual de Produção & Direção”, de Valter Bonasio. “A Arte do Video” eu já tinha lido há muitos anos, está sendo bom reler. A primeira impressão do livro é de 1988. Curioso perceber como algumas informações técnicas são datadas.

O “Manual de Produção e Direção” é realmente um manual. Termos técnicos, os profissionais e suas funções, como fazer isso aquilo. A melhor frase: “Televisão é uma mídia íntima, assitida a uma distância de aproximadamente 3 metros”.  Rsrsrsr… será que esse manual vende em banca de jornal??? Não preciso nem dizer que abandonei essa leitura.

Lego 30 anos

10/06/2009

 

Lego Miniman 30 anos

 

 

Introdução

 

A proposta deste trabalho é fazer uma análise semiótica do filme publicitário “Gominimango”, feito para a campanha mundial de comemoração dos trinta anos do bonequinho da Lego, empresa dinamarquesa de brinquedos conhecida mundialmente. O filme foi feito pela Lobo, produtora brasileira de animação. Foi veiculado no cinema e na televisão (na época da comemoração – agosto de 2008) e pela internet através de um site feito especialmente para esta data. O site continua no ar.

 

Go miniman go – Lego 30 years

 

O filme comemora os 30 anos do bonequinho da Lego (o miniman) passando por vários momentos históricos dos últimos trinta anos. O primeiro miniman a aparecer é neutro, sem identificação como personagem, rapidamente a cena se transforma numa lendária luta de sabres de luz entre os minimen Luke Skywalker e Darth Vader, cena do filme “Star Wars”, de 1977. A cena que segue também é uma reconstituição de uma cena de “Star Wars”. Ainda como Luke Skywalker, o miniman voa em sua nave com o fiel co-piloto R2D2 numa batalha espacial. Ao fundo se vê a Estrela da Morte, estação espacial do mau da saga de George Lucas. A Estrela da Morte se transforma em um globo de espelhos, girando no teto de uma discoteca. E quem está na pista de luzes coloridas é o miniman Tony Manero personagem vivido por John Travolta em “Os Embalos de Sábado a Noite” (1977). Ele dança com outros minimen e sai pela porta da boate, repetindo a famosa cena de Manero caminhando pelas ruas de Nova York. O boneco entra em uma rua cheia de outros minimen:  garçom, bombeiro, skeleton, policial, meninas, um mendigo brincando com seu cachorro, entre outros. O miniman entra em uma estação de metrô e ela também está repleta de personagens: passageiros comuns dentro da estação, uma roda de break com bboys dançando ao lado de um rádio stereo. O trem do metrô se apromixa e nele está grafitado LEGO 30 e GOMINIMANGO (que é a frase chave da campanha). Ao entrar no trem, o homemzinho cruza com vários minimen, inúmeros personagens comercializados pela Lego em várias épocas. Numa fusão para a cor branca, como se entrasse em um túnel, ele se transporta para um jogo de hóquei entre USA x URSS.  As arquibancadas estão lotadas de minimen torcedores, bonecos de todos os tempos, balançando bandeiras dos Estados Unidos. O jogo termina, um miniman sobe pela arquibancada e acaba em um muro em meio a uma festa de rua, pessoas felizes agitando bandeiras da Alemanha. Um miniman de bigodes quebra o muro com uma picareta. Este se parte em muitos bricks (tijolinho da Lego). Eles voam pelo céu escuro e entram em órbita ao lado de uma estação espacial. Os astronautas flutuam no espaço quando surge um skatista, flutuando também sobre seu skate, caindo sobre uma rampa de skate. O miniman skatista pula de uma manobra  e cai num palco de um grande show de rock. Ele é fotografado, troca o skate por uma guitarra, corre para frente do palco e é ovacionado por um enorme público no show. A câmera, orientando a visão do espectador, entra pelo público como se estivesse numa grua e sobe para o céu aonde encontra o logo da LEGO. Embaixo vê-se escrito um endereço eletrônico gominimango.com (site feito especialmente para a comemoração dos trinta anos do miniman).

 

Análise semiótica do filme

 

O filme começa com um miniman sem identificação, ou seja, aquele que pode vir a ser qualquer um dos personagens que a empresa já comercializou, um boneco que faz parte da brincadeira de qualquer criança ou mesmo do próprio espectador. E é através deste boneco que o universo da identificação com o espectador e sua imaginação começam.  

A narrativa do filme é claramente cronológica. Começa com a recontituição de uma cena do filme “Star Wars”, de George Lucas, e em seguida uma cena de “Embalos de Sábado a Noite”, ambos filmes de 1977. Esses dois filmes são marcos culturais da década de setenta. George Lucas usou da tecnologia para criar um cenário lúdico e futurista e com isso teve grande projeção. O filme de John Badham retrata um movimento sócio-cultural fortíssimo dos anos setenta, a discoteca. A diferente forma de se vestir, de se comportar, a vaidade masculina. 

Quando o personagem entra na estação do metrô, as referências são da década de oitenta, representada pelo movimento hip hop (a roda de break, o grafite no trem). Mais uma vez um movimento socio-cultural. A dança, a poesia, a música e o grafite que trouxeram novos elementos artísticos, para o cenário mundial. 

Depois, o jogo de hóquei nos leva ao final da década de oitenta, num jogo entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética em uma clara referência à Guerra Fria (ela se chama fria pois não teve um conflito direto e sim disputas estratégicas e conflitos indiretos entre as superpotências EUA e URSS). Foi nesta década que a Guerra Fria ficou  evidênciada pela reativação da construção de armas nucleares por parte do então presidente americano Ronald Reagan. Na cena seguinte do filme vemos a Queda do Muro de Berlim (data de 1989). Muitos historiadores consideram este acontecimento como o começo do final da Guerra Fria. O mundo assistiu a abertura política dos países do leste europeu, a chegada do capitalismo no mundo socialista e a abertura cultural. 

A estação espacial traz a questão do investimento em pesquisas e do avanço tecnólogico. Podemos  interpretar aqui como sendo a MIR, estação espacial russa que esteve em órbita por 15 anos. Num primeiro momento, ela era usada somente pela União Soviética e depois da abertura política passou a ser internacional. Foi usada por pesquisadores de várias nacionalidades. 

O movimento do skate teve uma grande projeção nos anos noventa, e tem como um marco nesta época, o estilo diferenciado de  um skatista brasileiro Bob Burnquist, que revolucionou a forma de usar os skates em competições verticais, como a que aparece no filme (competições em rampas half pipe). Bob trouxe do street (skate de rua) para o vertical (skate nas rampas half pipe) o Switchstance, a prática do skate com a base trocada (as manobras passaram  a ser realizadas com os dois pés).

Já o final no filme, temos um grande show de rock, com uma multidão de espectadores, a grande festa, a grande comemoração.

O filme “Go miniman go” foi todo feito em animação 3D. O conceito de apropriação de Walter Benjamim diz que a fotografia seria um meio técnico pelo qual a imagem ganhou potencialidade de ser multiplicada e reproduzida, propiciando um novo procedimento artístico a partir disto. Pensando nos dias de hoje, esse conceito pode ser trazido para a computação gráfica. O que é a computação grafica senão a reprodução de algo já existente, aqui, no caso, a reprodução e multiplicação não só da imagem do boneco, mas também cenas históricas, reais ou fictícias. 

As referências históricas trazem ao espectador uma sensação de ter um conhecimento anterior, ou seja, cria um elo de cumplicidade como se ele pudesse decifrar a mensagem através deste conhecimento prévio. Esses elementos são colocados ali pra que a leitura seja feita, sem margens de erro.

“A publicidade tem como tarefa informar as características deste ou daquele produto e promover a sua venda”, escreve Jean Baudrillard em seu texto “Significação da Publicidade”.  Apesar do filme parecer uma animação em stop-motion (animação feita com elementos reais), ele foi todo feito em 3D (software Maya). A intenção era parecer o mais real possível, e para isso a Lego estipulou que os movimentos dos bonecos fossem limitados, assim como os do boneco real. É a imagem virtual propondo um mundo simulado, imaginário, ilusório. E através dele, o espectador sente a possibilidade de preencher uma frustação, um vazio, de ter o que não se tem, nem vai se ter. “Gominimango” busca ter uma relação interpessoal, instaurada entre o eu e você, encarando o espectador nos olhos, por várias vezes, Ele busca uma intimidade, e até  cumplicidade. O espectador não só assiste os acontecimentos históricos, sejam eles reais ou fictícios, mas têm a impressão de vivê-los, através do boneco, como uma brincadeira. O filme é costurado como a imaginação da criança, passando de um cenário para outro, assim como o pensamento, de forma rápida, sem limites. 

Os acontecimentos mostram sempre uma posição de luta pelo que se acredita, o desejo de mudança, a transgressão da ordem estabelecida. A luta entre Luke Skywalker e Darth Vader, o bem contra o mau, a disputa entre o pai e o filho na maturidade, o amadurecimento do homem, o poder da espada, virilidade e força. Dirigir uma nave espacial, ultrapassando os limites em uma batalha futurista. Ser um Tony Manero, um homem bonito, vaidoso, desejado, um modelo de modernidade para a época. EUA e URSS, ser espectador da história, da luta de poder através da política, a tecnologia, o conhecimento. A queda do muro de Berlim, a contravenção, a luta contra a opressão, a busca da liberdade, de ir e vir, a busca da individualidade. O espaço sideral, a conquista do universo, o conhecimento científico, o desejo de chegar aonde poucos conseguiram,  ser um astronauta. O skate, voar sem asas, o esportista moderno, o ser diferente. O show de rock, adorado por multidões, fotografado, a fama, o status, a banda de rock’n’roll, o sonho de muitos. Uma grande festa em comemoração ao que “eu sou”. O que mostra então este filme senão a possibilidade de através de um boneco Lego ser um grande herói, entrar em órbita, presenciar um acontecimento histórico ou protagonizar um grande show de rock?

Apesar de ser um filme publicitário de um brinquedo, “Gominimango” não tem como público alvo só crianças, mas também adultos que quando crianças brincavam com os bonecos, e adultos que hoje os colecionam, e quem sabe, ainda brincam.

Um fato curioso do filme é que na cena da queda do muro de Berlim, o muro se quebra em  bricks (tijolos Lego) lembrando o espectador que a partir de uma peça retangular de plástico é possivel construir um universo mágico de fantasia.

 

Ana Lucia Buchmann Freire

 

 

REFERÊNCIAS

 

- Introdução à análise da imagem. Martine Joly. Campinas, Papirus, 1996

- Semiótica Aplicada. Lucia Santaella. São Paulo, Pioneira Thomson Learning, 2002

- A obra de arte na era de sua reprodutividade técnica e A doutrina das semelhanças.   Walter Benjamin. In As obras escolhidas.Magia e técnica.Arte e Política. São Paulo, Brasiliense, 1994

- Significação da publicidade. Jean Baudrillard. In Teoria da Cultura de Massa. Introdução comentários e seleção Luiz Costa Lima. São Paulo, Paz e Terra, 2000

- site www.gominimango.com

 

O blog

10/06/2009

Este blog será um caderno de pensamentos e idéias sobre os meios eletrônicos na busca de um tema para a monografia do curso de Pós-Graduação de Criação de Imagens e Sons em Meios Eletrônicos, Senac 2009. Video, televisão, cinema, rádio, internet, games, rua.

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